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18/03/2014

Enfim, uma voz de coragem

A posição do coronel França, comandante do Corpo de Bombeiros, na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, sobre a lei de incêndio foi muito mais que oportuna, foi a voz da autoridade competente, que com responsabilidade colocou as coisas nos seus devidos lugares. Enfim uma voz de comando de quem conhece o assunto e não tem medo de uma políticos de "meia tigela" que fazem leis oportunistas e sensacionais, em cima de tragédias que não servem de parâmetro para nada.

Agora é de esperar que os homens públicos de dentro da prefeitura tenham também coragem de tomar suas posições, uma vez que inúmeras empresas estão com obras acabadas e precisam repor seu capital de giro e estão impedidas de repassar os imóveis por falta da documentação competente, que esbarra no alvará do Corpo de Bombeiros, travado por essa lei. Se eu estivesse no lugar o Secretário, emitiria todos os habite-se que foram solicitados. Um lei feita para agradar a gritaria de um bando de irresponsáveis por ocasião de uma tragédia, não deve ser cumprida.

É como a lei das multas de trânsito feita por congressistas que recebiam para votar a favor de determinados projetos. Uma lei dessas é legitima? A sociedade está cansada de coisas absurdas. Leis, leis e mais leis feitas por pessoas que não entendem do assunto e que ao invés de ajudar o país a crescer estão engessando a economia e cada vez travando mais o crescimento econômico. A lei existente sobre a prevenção de incêndios é uma lei bem elaborada, dentro da realidade, não tinha necessidade alguma de ser mexida. Ocorre que quando acontece um fato dessa grandeza trágica, todo o mundo procura culpar todo o mundo. Primeiro culparam os bombeiros, que não tinham nada a ver com o assunto. E aí foram culpando todos, até o Prefeito, que, cá entre nós, se os prefeitos têm que descer ao detalhes de fiscalizar estabelecimentos, daí estamos no fim.

Na minha ótica sempre houve um só culpado pelo sinistro. A pessoa que ateou fogo. Um recinto fechado e repleto de materiais inflamáveis, é claro que não vai suportar a um fogo de artifício. Pronto, o assunto termina aí. Mas não terminou e em conseqüência de um ato de uma pessoa, um Estado inteiro é posto em pânico, economicamente falando. Quem se elege para o legislativo tem que ter a dimensão dessas coisas. Nem tudo se resolve transformando em lei. Aliás, é bem mais fácil resolver as coisas se não houverem leis, porque depois que a matéria está escrita é difícil poder mudá-la. Então, parabéns coronel França. Quando legislativo e executivo falham e erram, é preciso que haja bons comandantes.

                                                                                          

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13/03/2014

Oportunidade no bairro Desvio Rizzo


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11/03/2014

A sabedoria do homem público

Se um homem público não pode fazer muita coisa, pelo menos que não faça besteiras. São melhores os homens públicos que passam quatro anos no parlamento sem fazer nenhuma lei, do que aqueles que para mostrar serviço, fazem dezenas de leis inócuas e oportunistas que só causam confusão na sociedade. É o que aconteceu com essa legislação do Estado sobre o alvará co Corpo de Bombeiros para a construção civil. Será que o Senhor Governador não sabe que o Corpo de Bombeiros que está sob a sua administração sofre de enormes demandas de equipamento, de contingente, de veículos . Se sabe, porque assina uma lei vinda do legislativo jogando sobre o Corpo de Bombeiros mais responsabilidades ainda, sem lhe dar o que precisa?

Alguém está faltando com a responsabilidade. Ou é o legislativo que aprova uma coisa que não pode ser aplicada, ou é o executivo que não tem a sensibilidade de ver que pisaram na bola. Falei na semana passada sobre este assunto, porque ele é grave. É tão grave que volto a falar novamente. Eu acho que algumas empresas de construção civil vão ter sérios problemas e algumas podem até quebrar em vista do que foi feito de forma tão irresponsável. Como é que pretendem que a economia do Estado cresça com uma irresponsabilidade dessas?

Aliás, o Estado do Rio Grande do Sul não cresce por isso. É muita incompetência de homens públicos oportunistas e sem conhecimento, sendo geridos por tecnocratas que não tem a mínima sensibilidade. Se o governo não voltar atrás na legislação emitida sobre este assunto, Caxias do Sul vai sentir problemas econômicos em todos os segmentos da sociedade, e problemas bem graves. O que você faria diante de uma situação dessas?

Houveram manifestações nas ruas sobre tais coisas, parece que alguns não aprenderam que a sociedade está cansada de intromissões indébitas em sua vida querendo regulamentar coisas que já estão regulamentadas pela sua própria essência. Acho que nós estamos num caminho muito ruim. O caminho do oportunismo. Cada vez que há uma tragédia, vem alguém e propõe que não hajam mais tragédias. São leis: “é proibido haver tragédias”. Tem homem público que se presta para isto.

É isto que estamos vendo. Quero ver o que vão dizer às pessoas que vão perder o emprego por conta dessa demagogia. Acho que os empresários da construção deveriam se reunir e chamar seus funcionários em praça pública para uma grande e solene vaia em homenagem aos irresponsáveis que fazem leis como se cozinham batatas. Mas o bom mesmo é que se faça como faziam no passado, uma lista dos que votaram essa maravilha e colocá-la em praça pública para que todos saibam a sabedoria dos homens públicos. Se fosse no tempo do Amaranto, quando os gaúchos ainda tinham aquilo que vocês estão pensado, um pranchaço de facão na orelha resolveria o assunto.
                                                                                            

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04/03/2014

As tragédias não devem servir de exemplo

O incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, despertou as pulgas das autoridades e, como sempre acontece no país, onde a mídia faz o papel de governo e também de policia, todo o mundo foi acusado. Gente que nada tinha a ver com o assunto, foi crucificada. É bem a cara do Brasil.

Boates, via de regra, são meio que um submundo, onde acontecem coisas muito piores que um incêndio. Então, eu vejo o que aconteceu como uma fatalidade e lamento como todos, as vitima da tragédia. Todavia o acontecimento da boate Kiss causou uma revolução no país, que o país, mais uma vez não está preparado para acolher. Por força de lei jogaram para cima do Corpo de Bombeiros tudo o que se relaciona com a construção civil. Nada mais pode ter habite-se sem alvará do Corpo de Bombeiros.


Foto: Agência Brasil.

Calculem vocês se os bombeiros vão ter condições de dar conta do recado. Esses dias vi na televisão uma entrevista de um integrante do Corpo de Bombeiros da capital, dando conta das necessidades da corporação que não tem veículos suficientes, não tem equipamento adequado e aquelas coisas que a gente sabe do poder público. Imaginem então, se além dessas dificuldades todos os bombeiros terão que abraçar esse enorme fardo da construção civil. Esse militar que vi na televisão argumentava, entre outras coisas, que a guarnição tinha que ir para o orçamento comunitário para disputar verbas para a compra do seu equipamento. Cá entre nós, é o fim do mundo.

Tenho reiterado em tantas oportunidades que os escândalos e o sensacionalismo que é feito por alguns setores da mídia, tem feito os homens públicos se encagaçarem e tomarem medidas as mais imbecis possíveis, em cima da perna. Como conseqüencia desses atos tresloucados de líderes que não lideram nada acontecem essas coisas. Um homem público que sabe das coisas não se assusta de jornal nem de jornalista. Não faz leis à toa que depois nem podem ser cumpridas. Não será todos os dias que vamos ter uma tragédia semelhante à da boate Kiss, por isto não precisamos acionar os bombeiros por qualquer coisa.

Daqui há pouco os bombeiros vão ter que vistoriar o chuveiro do canil da Soama, se houver chuveiro. Só que essas medidas vão atravancar a construção civil de tal forma, que diversos empregos serão perdidos e muitas pessoas que precisam de trabalho vão perder suas oportunidades. Por outro lado, outros tantos que precisam de moradia vão saber que seus projetos vão encarecer e demorar muito mais do que já demoram.

Ovídio Deitos
Diretor-Fundador da Empresa Urbanizadora Rodobrás Ltda.
Texto publicado no Jornal Gazeta de Caxias.

                                                                     

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18/02/2014

Livre iniciativa

País da livre iniciativa é como a gente define o Brasil.
Mas que país da livre iniciativa onde o governo define até o horário?
Cá entre nós, é muito engraçado. É cômico.
Vivemos num país onde o governo decide quase tudo. Experimente, se você não acredita. Uma fábrica tem que ser instalada onde o poder público permite. Caso contrário não haverá licenciamento. A linha de produção deverá obedecer critérios que o poder público determina, caso contrário será interditada. Os produtos terão que ser aprovados em questões de segurança, de saúde, de tudo, caso contrário não poderão ser colocados no mercado. Os trabalhadores terão que usar determinadas vestimentas, equipamentos, etc., caso contrário haverão multas, interdições e outras penalidades. A venda dos produtos obedecerá critérios também impostos pelo governo, haverão notas fiscais, documentos e mais documentos, guias, impostos e controles de toda a espécie. Ninguém vem em socorro do empresário, mas aparecem dezenas de pessoas para averiguar se ele está dentro da legislação.

Este é o país da livre iniciativa.

Um projeto arquitetônico, urbanístico ou de engenharia: o autor não pode projetar quase nada, porque tudo será revisado por outras pessoas que vão colocar suas idéias, seus pareceres e, no fim, o projeto será mais dessas pessoas do que do seu autor. Está chegando à hora de se dar um basta nessas coisas. O poder público não tem que se meter nas questões da iniciativa privada. O poder público tem que cuidar de si próprio porque nem disto está sendo capaz. Olhem o Estado do Rio Grande do Sul: quebrado. Sabem porque que o Rio Grande está nessa situação? Porque é um Estado certinho, todo cheio de frescuras, isto não pode, aquilo é assim, o fulano tem todos os direitos e fomos adquirindo mais direitos do que deveres, principalmente nas funções publicas, onde alguns abençoados tem mais direito do que os anjos e outros operários comuns da iniciativa privada que só sofrem, não tem direito a nada, tem a pior previdência e nenhuma assistência.

Se não houvessem tantas frescuras, tanta intromissão, cada um faria a sua parte e podem ter certeza que faria muito melhor que o governo. Um dia, certamente teremos homens públicos com coragem para terminar com essas frescuras e fazer do nosso país um local onde a livre iniciativa seja o carro motor da nossa economia e da nossa vida. Até lá vai ser sempre essa escolhambação que o Estado manda mais do que todos e manda errado. Um dia mudará, certamente. Queira Deus que não seja pela força.

Ovídio Deitos
Diretor-Fundador da Empresa Urbanizadora Rodobrás Ltda.
Texto publicado no Jornal Gazeta de Caxias.

                                                                                     

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