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16/04/2014

O homem e a rua

Fico observando o que vem ocorrendo no país relativamente à nossa economia, que, diga-se de passagem, sempre apanhou do governo. Em todos os níveis, não é apenas no governo federal. Os empresários e os produtores apanham do governo central, do estado e do município. O medo dos ladrões fez com que os homens públicos, por pressão da sociedade, editassem leis e mais leis com o objetivo de conter este ou aquele excesso, mas as leis não fizeram outra coisa senão bloquear a economia através de uma burocracia inconcebível e os ladrões continuam roubando até mais.

Primeiramente é preciso que se diga que não dá para agir sob pressão da sociedade. Se alguém tiver dúvidas disso, veja o que ocorreu com a legislação de incêndios em relação à boate que queimou em Santa Maria. Uma grande parte das obras de construção civil ou parou ou vai parar e, em consequência, centenas, talvez milhares de trabalhadores vão perder o seu emprego. Os exageros nunca conduziram a nada.

Ocorre que nem o país, nem o estado e nem o município fazem coisa alguma para escapar dessas amarras.
Por exemplo: nunca se ouviu falar de um deputado, senador ou vereador que propusesse a revogação de alguma dessas leis absurdas que prejudicam o crescimento do país. Aliás, será que se alguém fizesse isto, a extinção passaria? Estamos diante de um problema de cultura, quando todo o mundo acredita que as leis resolvem tudo. Tenho um amigo na Prefeitura que me falou que eu devo ser anarquista, porque escrevo contra as leis. Eu não sou anarquista, mas que no país há um excesso de leis, isso há.

Se alguém duvida daquilo que estou afirmando, encaminhe alguma coisa na Prefeitura. Qualquer coisa. Vai ver logo o que vão pedir. Experimente, por exemplo, doar uma pequena rua para o município, uma rua que o município precisa e que está prevista no Plano Diretor, uma coisa que deveria ser pacífica. É uma matéria que leva dois anos, sem dúvida. Então, como dizia Vinicius de Morais “me dá uma pena dessa gente que vai em frente sem nem ter com que lutar”. Como é que pretendemos que uma pessoa humilde tenha a casa própria se, em nome da lei, a rua não comporta porque foi feita há muitos anos, é estreita, não está nos parâmetros da lei atual, é do tempo da cidade pequena, quando nem lei havia. Então o parecer será a favor de que o homem, ser criado por Deus e para cujo qual Deus criou o mundo, vá morar com sua família debaixo do ponto, porque a rua onde ele pode fazer a sua casa não tem a largura prevista em lei. Uma sábia decisão, sem dúvida. Até o cachorro do requerente fica com pena do dono e vermelho de vergonha de ver que o seu dono está pedindo para construir uma casa numa rua que não tem a largura prevista no Plano Diretor.

O sábio mostraria às autoridades que isto é desumano e faria com que se enviasse um projeto para alterar a lei que deve privilegiar primeiro o ser humano e depois o contexto urbano. Mas o burocrata não faz isto. Ele deixa o homem e a família na rua.
                                                                                

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08/04/2014

Coraio Compare

Os constantes entraves que permeiam o serviço público, a burocracia exagerada, os interesses partidários de quem administra ou de quem participa da administração e todas aquelas coisas que nós conhecemos e sabemos que são nocivas à vida da sociedade, são os verdadeiros responsáveis pela desmoralização do serviço público. Leis inócuas ou mal feitas, que perturbam ao invés de ajudar. Procedimentos altamente burocráticos, fruto do desconhecimento, do medo e da falta de competência de quem deveria fazê-los, entravam demandas importantes que precisam transitar com urgência e na verdade permanecem meses e meses dormindo nas prateleiras do poder público.

Tenho para mim que quanto mais normas, mais leis, quero dizer, pior. Também tem que ter um regramento, sem dúvida, mas regras não são leis. Nós temos o costume de fazer leis para qualquer coisa e uma lei, depois que está escrita e foi aprovada e sancionada não tem como ser ignorada. Vejam a legislação sobre incêndio aprovada pelo Poder Legislativo do Rio Grande do Sul, tramitado às pressas para diminuir o ruído das vozes em cima da tragédia da boate Kiss. Tem construtor com grandes dificuldades e alguns poderão até ter que extinguir suas empresas. Esta é uma ação prejudicial do poder público. Uma regra que ao invés de ajudar e melhorar piora.

A operação padrão que se desenvolve agora na emissão de guias do ITBI (foto) do município. Não sei quem está com a razão, mas uma coisa é certa, muita gente, muita empresa e muito empreendimento está sendo prejudicado, paralisado, esperando por um conflito entre o município e seus funcionários. Está correto isto?

                                                                             
  
Digamos que chegue um doente grave ao posto de saúde e o enfermeiro ou o médico digam que estão em operação padrão e, portanto vai atendê-lo devagar, quando dá, etc. E o doente morre. Sabem o que acontece? O enfermeiro e o médico serão processados e poderão até ir para a cadeia. Tem coisas que denigrem o poder público pelas atitudes de uns e de outros e é por isso que funcionários responsáveis e bons estão sofrendo e que os órgãos públicos como um todo estão se desmoralizando. Os políticos, claro, não têm coragem, como sempre, porque daqui a dois anos haverá outra eleição e o administrador que resolve administrar com qualidade e com seriedade não é o mais indicado para concorrer na próxima eleição. Este é o problema.
É como dizia o compadre do Bepi quase morrendo, quando o Bepi lhe disse "coraio compare". Ele respondeu, "coraio elgó má me manca el ária".

                                                             

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25/03/2014

Líder não precisa se abaixar até o chão

Durante toda a minha vida militei em partidos políticos. Aos quinze anos já comparecia às reuniões do antigo, antigo não, porque continua atual, Partido Democrata Cristão. Continua atual porque tudo o que se combatia na democracia cristã, continua acontecendo no Brasil. Mas, enfim, desde os quinze anos estou envolvido na vida pública e, de uma forma ou outra, continuo participando. Pois, bem. Não tenho lembrança de ter vivido um período de tamanha desvalorização do homem público. E não quero dizer que o homem público está desvalorizado porque não tenha caráter. Muito pelo contrário, ninguém dá valor a uma pessoa pública. Quem se propõe ser candidato a este ou aquela cargo público é execrado desde o primeiro momento que põe a cara na rua.

Não sei dizer se é um fenômeno que acontece em qualquer parte do mundo ou se ele é típico do nosso país.O que quero dizer é que a vida pública, no entender de alguns não tem valor nenhum, e por isso, o que vai para a vida pública é igual. É lamentável que a sociedade pense dessa forma, mas se nós olharmos, foi pela própria ação de alguns homens públicos que começamos a fazer esse conceito. Por exemplo, a grande maioria dos políticos dá um dedinho para não tomar posição nenhuma. Eu não sou nem a favor nem contra, muito antes pelo contrário.

Eu nunca fui a favor de ficar nas portas de fábrica em época de eleições. Nunca estive na porta de uma fábrica, a não ser quando trabalhava na Metalúrgica Eberle, então porque devo ir lá agora, só porque sou candidato? Nunca participei de passeatas a favor disto ou daquilo, então porque devo ir a esta ou aquela passeata só porque sou candidato? Eu acho isto uma demagogia. Eu sou daqueles que acredita que o candidato é candidato porque se pressupõe que é uma pessoa capaz e que conseguirá gerir os negócios públicos com capacidade e bom senso, com honestidade e transparência e que tem mais condições ou menos condições que seu adversário e ponto final.

A gente vota porque a gente acredita na pessoa ou deixa de votar porque acha que o outro é melhor. Não é porque a gente foi cumprimentado, porque o camarada veio participar da nossa passeata, porque ele estava na porta da fábrica onde trabalhamos que vamos votar nele ou deixar de votar nele. Eu acredito que essas demagogias que os homens públicos estimulam com a sua benevolência é que estão construindo homens públicos fracos, que tem medo do jornal, da rádio, da televisão, tanto que alguns são construídos pela televisão o que dá mais força a que a nossa vida pública se pareça com um tele teatro.

Homem público é cara que tem um ideal e se sente montado na razão e a cavalo dela vai até pro inferno, sem jornal, sem rádio, sem televisão. Homem público é líder pelas ideias que defende e não pelas linhas que a mídia dispensa a seu favor. A propaganda se faz de boca em boca e quem sabe da sua dor reconhece aquele que veio para amainá-la. E votará nele, apesar de tudo. E como diria o Amaranto: só porque tu é candidato não precisa mostrar a bunda, tchê!
                                                                                               

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18/03/2014

Enfim, uma voz de coragem

A posição do coronel França, comandante do Corpo de Bombeiros, na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, sobre a lei de incêndio foi muito mais que oportuna, foi a voz da autoridade competente, que com responsabilidade colocou as coisas nos seus devidos lugares. Enfim uma voz de comando de quem conhece o assunto e não tem medo de uma políticos de "meia tigela" que fazem leis oportunistas e sensacionais, em cima de tragédias que não servem de parâmetro para nada.

Agora é de esperar que os homens públicos de dentro da prefeitura tenham também coragem de tomar suas posições, uma vez que inúmeras empresas estão com obras acabadas e precisam repor seu capital de giro e estão impedidas de repassar os imóveis por falta da documentação competente, que esbarra no alvará do Corpo de Bombeiros, travado por essa lei. Se eu estivesse no lugar o Secretário, emitiria todos os habite-se que foram solicitados. Um lei feita para agradar a gritaria de um bando de irresponsáveis por ocasião de uma tragédia, não deve ser cumprida.

É como a lei das multas de trânsito feita por congressistas que recebiam para votar a favor de determinados projetos. Uma lei dessas é legitima? A sociedade está cansada de coisas absurdas. Leis, leis e mais leis feitas por pessoas que não entendem do assunto e que ao invés de ajudar o país a crescer estão engessando a economia e cada vez travando mais o crescimento econômico. A lei existente sobre a prevenção de incêndios é uma lei bem elaborada, dentro da realidade, não tinha necessidade alguma de ser mexida. Ocorre que quando acontece um fato dessa grandeza trágica, todo o mundo procura culpar todo o mundo. Primeiro culparam os bombeiros, que não tinham nada a ver com o assunto. E aí foram culpando todos, até o Prefeito, que, cá entre nós, se os prefeitos têm que descer ao detalhes de fiscalizar estabelecimentos, daí estamos no fim.

Na minha ótica sempre houve um só culpado pelo sinistro. A pessoa que ateou fogo. Um recinto fechado e repleto de materiais inflamáveis, é claro que não vai suportar a um fogo de artifício. Pronto, o assunto termina aí. Mas não terminou e em conseqüência de um ato de uma pessoa, um Estado inteiro é posto em pânico, economicamente falando. Quem se elege para o legislativo tem que ter a dimensão dessas coisas. Nem tudo se resolve transformando em lei. Aliás, é bem mais fácil resolver as coisas se não houverem leis, porque depois que a matéria está escrita é difícil poder mudá-la. Então, parabéns coronel França. Quando legislativo e executivo falham e erram, é preciso que haja bons comandantes.

                                                                                          

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13/03/2014

Oportunidade no bairro Desvio Rizzo


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